PARA RIR E REFLETIR – “A Capivara Selvagem

PARA RIR E REFLETIR – “A Capivara Selvagem – O Que Aconteceu Naquela Noite de Estreia?”

A Capivara Selvagem 2

 Felizes são as peças que, embasadas pelo talento de quem as faz, podem se dar ao luxo de nomes exóticos. Por isso, não se intimide ao ver pelas ruas outdoors de “A Capivara Selvagem – O Que Aconteceu Naquela Noite de Estreia?”, comédia estrelando Frank Menezes, Marcelo Praddo e João Guisande no palco do Teatro Módulo até o final de novembro.

Espetáculo criado e dirigido por Luiz Marfuz, e especialmente pensado para celebrar os 30 anos de carreira do respeitado Frank Menezes, a peça traz, propositalmente, uma das facetas menos exploradas do ator, conhecido por seus monólogos de sucesso como “O Indignado” (Fernando Guerreiro). A intenção é valorizar a dramaturgia baiana, fazendo com que Frank contracene com atores da terra.

“A Capivara Selvagem” conta a história de decadência de duas atrizes esquecidas do teatro, e no entanto ávidas pela volta à fama e aos refletores. A frustrada Dora Lee (Frank Menezes), já velha e sem talento, torna-se desequilibrada e refém das doses de uísque, a todo momento arquitetando planos mirabolantes para sua desejada ascensão de retorno aos palcos. Com os fins justificando os meios, Dora contracena com sua irmã, Mabel (Marcelo Praddo), artista antes consagrada mas que já não atua desde que sofreu um acidente em cena. Em uma relação de rivalidade, dividida entre amor e ódio a todo o momento, as duas se alternam nos papéis de atriz e espectadora uma da outra, dentro da própria casa; cenário de todo o espetáculo. Destaca-se o belo trabalho de expressão corporal de ambos os atores em cena.

Com esquetes inteligentemente distribuídas ao longo da peça, há diversas referências e até mesmo citações de grandes divas esquecidas do teatro e do cinema, homenageando principalmente os filmes americanos de estilo Noir da década de 50, nos quais Luiz Marfuz diz ter se inspirado ao escrever o texto de “A Capirava Selvagem”. Num humor tragicômico, e, quem diria, agradáveis cenas de terror e furor psicológico, o espetáculo é indicado pra quem gosta de rir com conteúdo. E para outros, que estiverem precisando de algumas alfinetadas.

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